1. Explique as razões apontadas pelos autores nas sucessivas tentativas de integração das tecnologias e dificuldades encontradas, explicando o que se pretende atingir com o uso destas nos contextos de educação e de formação na sociedade atual. Na sua resposta destaque os motivos explicativos das dificuldades encontradas, e as vantagens que podem advir da integração das novas tecnologias nos espaços pedagógicos.
A evolução das tecnologias de informação e de comunicação, têm vindo a ganhar ênfase no campo da educação, e, por isso, é necessário criar novas práticas educativas e novos modelos de aprendizagem que consigam acompanhar o desenrolar da aprendizagem que temos vindo a presenciar. (Pozzo, 1999 citado por Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
A Escola tem vindo, de forma lenta, a integrar algumas medidas de modo a responder eficazmente às necessidades de formação e educação atual, fazendo uma reflexão sobre o que é imprescindível aprender e de que modo se pode aprender. Alterando assim, os quadros de referência educativo que, hoje em dia, não podem ser tomados como referência. (Pereira, 2007 citado por Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008). Para Ponte (2001), por mais avançada que seja a tecnologia, a mesma caracteriza-se por ser versátil, fazendo com que tenha subjacentes e diferentes filosofias de aprendizagem. Assim, cabe aos respetivos agentes educativos, a decisão sobre qual o tipo de práticas pedagógicas que pretendem transmitir. (citado por Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
Segundo, Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A. (2008), as novas tecnologias podem e devem ser utilizadas de modo a dar força às conceções tradicionais de aprendizagem, sem que as mesmas tragam um valor pedagógico. Esta ideia é reforçada com base nas ideias de Papert (2001). O mesmo, defende que a escola assimila as inovações tecnológicas, integrando-as, nos esquemas pré-existentes e protegendo-se das mudanças que não se encontra preparada para realizar. Como exemplo, temos as novas tecnologias, como os computadores que são muitas vezes “escolificados”. Seja porque são colocados em salas destinadas aos mesmos, que se encontram restringidas a uma disciplina específica, porque são usados para a realização de exercícios de prática repetitiva, ou porque são utilizados como se se tratassem de novos e modernos retroprojetores, servindo essencialmente o modelo tradicional de transmissão de conhecimentos (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
Relativamente às dificuldades encontradas, os autores e Ponte (2001), afirmam que o problema não está em saber se as novas tecnologias beneficiam ou não a aprendizagem, mas sim, em como colocá-las ao serviço dos projetos educativos que transmitam a visão da educação como um processo de desenvolvimento integrado, significativo e coerente (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
Perrenoud (2002) enfatiza que, para transformar a Escola numa organização aprendente, é fucral investir numa nova forma de conceber a organização do trabalho, do tempo e dos espaços escolares, acabando assim, com a organização rígida e burocrática inserida nos programas educativos, nos horários, e na constituição das turmas (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008). Para além de transmitir saberes, a Escola tem de se transformar numa instituição social, em que o principal objetivo passe por ser a formação pessoal, social e cultural dos indivíduos enquadrada na nova cultura em que hoje vivemos, a da tecnologia (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
A tecnologia não é vista como a “salvação” da Escola, tendo em conta que, segundo Figueiredo (1995), a Escola terá sempre dificuldades em acompanhar a oferta da indústria de produção de inovações tecnológicas. O que está em causa é o facto das tecnologias terem um papel determinante na construção da sociedade atual, e por isso, o professor e as escolas, deverem assumir novas responsabilidades e novos modos de educar (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
2. Discuta a relação entre as razões de integração das novas tecnologias em contextos educativos, as condições pedagógicas que devem ser criadas e as filosofias de aprendizagem que devem estar subjacentes, que se verifiquem as vantagens que o uso destas tecnologias, podem veicular.
A integração das novas tecnologias na Escola e na educação, não tem sido um processo fácil. Ainda assim, a disseminação e a crescente utilização da Web, tem contribuído para a construção de novos espaços pedagógicos e de novos ambientes de aprendizagem. É a partir daqui, que começam a surgir novas dinâmicas sociais e novas formas de conceber o processo de aprendizagem, isto é, a construção de um novo conceito de sala de aula (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
A Web, como sabemos, é um espaço de interação e comunicação que fomenta a partilha de experiências, o pensamento crítico, a criatividade, o trabalho colaborativo, a pesquisa, a realização de projetos, a sua apresentação e consequente avaliação. A possibilidade de acesso a dados, sejam eles históricos, culturais, ambientais, escritos, em forma de imagem, animação ou som, a possibilidade de interagir com toda essa rede de informação, produzindo conhecimentos que se podem partilham com outros, mesmo que se encontrem distantes, resulta num modelo que é propício à aprendizagem e ao desenvolvimento de novas formas de relação com o conhecimento e a novas formas de relação com os outros (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
A criação de “salas de aula virtuais” permitem a interação entre todos (entre alunos e entre alunos e professores), ou seja, acaba por lhes dar uma dimensão social que antes não existia, e ainda permite abandonar os processos de aprendizagem individuais, auto-dirigidos e socialmente descontextualizados. Esta forma de ensino é vista como uma alternativa ao ensino presencial. Sangrà (2003) e Phipps & Merisotis (1999), defendem que a mesma começou por se constituir como uma referência para a educação convencional e como um fator de inovação e de mudança (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
Na criação de uma pedagogia online, há muito que experimentar, refletir, teorizar e avaliar. Mason (1998) propôs uma forma de classificar os cursos online em tipos básicos: o da utilização irrelevante (a Web enquanto recurso para disponibilizar materiais, funcionando pontualmente como meio de comunicação, como por exemplo, o mail), o da utilização integrada (onde os conteúdos e atividades do curso estão online mas ainda são utilizados materiais tradicionais do ensino à distância, como livros, vídeos, …), e por fim, os cursos totalmente online (tanto os materiais como os conteúdos são online, tal como as atividades e a interação na tutoria, decorrem também, online). Neste modelo observamos a construção de uma comunidade de aprendizagem assente em propostas de atividades e trabalhos colaborativos, na promoção de debates e circulação de produção da informação (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
Duart & Sangra (2000) apostam num modelo metodológico de incorporação das TIC, identificando, três tipos de modelos que têm como objetivo, concetualizar as tendências observadas na realidade. Os modelos centrados nos meios, são aqueles em que a tecnologia tem o papel central enquanto que o professor se restringe ao fornecimento de conteúdos, enquanto que o aluno, através deles, conduz a sua própria formação (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008). Apesar destes modelos representarem sistemas clássicos de autoformação, os mesmos podem revelar uma atitude inovadora por parte do educador (Miranda et al., 2005, citada por Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008). Nos modelos centrados no professor, é o próprio que transmite a informação, mesmo recorrendo a dispositivos tecnológicos, como a videoconferência. Já aqueles que são centrados nos alunos, partem do princípio de que o estudante pode ser o gestor do seu próprio processo de aprendizagem, ou seja, o professor deixa de ser aquele que transmite o conhecimento e passa a ter o papel de um facilitador da aprendizagem (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
O último modelo mencionado, acaba por ser aquele que tem predominado nas instituições de ensino à distância, por se tratar de um modelo que permite a criação de atividades de aprendizagem que se adequam aos diferentes tipos de alunos e às suas necessidades (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
3. Defina o conceito de “comunidades virtuais de aprendizagem” explicando a sua importância na educação online.
Dias (2001) define “comunidades virtuais de aprendizagem” como sendo um sistema de colaboração formado pela interação e que se efetua através da comunicação, é também orientada por objetivos de aprendizagem que são partilhados por todos os membros da “comunidade virtual” (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).A formação de uma comunidade de aprendizagem está pressuposta no princípio da participação coletiva e pode desenvolver-se em contexto de sala de aula ou na Web (Crook, 1998; Dillenbourg, 1999, citados por Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
Trata-se assim, de um contexto de aprendizagem que se insere na perspetiva sócio-construtivista, em que a aprendizagem se centra no aluno e não no professor e onde a interação entre pares e o contexto em que a aprendizagem ocorre são importantes (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
Dias (2001) refere que a Web é o melhor contexto para se desenvolver as comunidades de aprendizagem, seja pelo seu carácter de flexibilidade, facilidade de acesso e diversificação de informações, mas também pela capacidade de permitir que as pessoas se comuniquem em rede, sem limitações de tempo ou distância, que faz com que se desencadeiem processos de comunicação de natureza colaborativa que tenham como objetivo, a construção de aprendizagem (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
O grande potencial pedagógico do ensino online passa pela criação de comunidades de aprendizagem. É aqui que o aluno acaba por ganhar flexibilidade cognitiva, estabelecer novas relações e expandir/complexificar a sua rede semântica no decurso do seu processo de aprendizagem (Jonassen, 1990, citado por Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).Para além disso, junta-se também a possibilidade de comunicação síncrona e assíncrona. Azevedo (1999) defende igualmente que a assíncrona é uma mais valia dos ambientes online, e que a síncronia constitui-se como uma dificuldade da educação presencial que o ensino online permite ultrapassar (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
Para Lévy (1994), nas comunidades virtuais, o vínculo social é construído através da relação com o conhecimento. Enquanto que na escola, se um aluno não participar nas aulas presenciais, ele não deixa de se sentir aceite ou pertencente ao grupo/turma em que se encontra, uma vez que existem outros contextos de interação fora da sala de aula. Por isso, é através da participação nos fóruns, nos chats, etc., que o estudante virtual assume identidade e adquire o sentimento de pertença ao mesmo (Amante, L.; Quintas-Mendes, A.; Morgado, L.; Pereira, A., 2008).
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